Diante de toda perda, de toda procura: um resgate. E foi em uma das andanças pela madrugada sob brisa a fria e solitária que pude mergulhar no encontro inevitável com alma, com as minhas paixões mais desconhecidas, mais ocultas... Com lado branco e vazio da vida.
Branco porque essa é a cor vasta e vazia, que não preenche que parece anular, é a cor do nada, mesmo quando os olhos permanecem insistentemente aberto para ver, o que só a consciência, só individuo embriagado de paz pode tocar.
Procurei nas vielas, nas esquinas, nos poucos faróis em altas velocidades, nas prostitutas alvoroçadas nas marquises, nas arvores chorosas mesmo depois da chuva, as razões pertinentes, capazes de justificar as escolhas, as minhas e as que percebo no decorrer dos passos, quis procurar explicação para escrita, quando escrevendo eu derramei uma lágrima!
E ai eu compreendi que a poesia, a prosa poética e metafórica existe em mim, independentemente das razões e condições sociais em que me situo, assim como os sonhos estão para as crianças do morro e para os pais das ruas, do relento.
Porém uma diferença enorme separa a introspecção dessas realidades. Diferença gritante, alarmante, voraz e triste. Eu posso displicentemente, manter-me acordada, não dormir pra buscar em mim providências para tudo, enquanto os invisíveis e despercebidos moradores do mundo- sem luxo e sem conforto- não podem ao menos descobrir a poesia que os sondam, ou a poesia que eles completam com todas as expressões inevitáveis que o social lhes proporcionam.
Não podem como eu abrir o coração e sentir satisfeitos na mesma proporção e plenitude, uma vez que eu procuro preencher a alma, e eles procuram no mundo um lugar pra sobreviver, pra morar, abraçar os filhos e sorrir com calor de uma grande conquista.
Bia Jabour